Minsun não tem muito o que falar sobre a própria vida, pelo menos não do jeito que os pais as pessoas esperam. Com 23 anos, trabalha como recepcionista desde o início do ano, bocejando entre turnos que passam devagar demaaais quando o movimento está fraco e rápido demais quando alguém resolve divertir sua noite com a pior cantoria desafinada do mundo. Não é um trabalho que exige muito além de presença e um sorrisinho gentil, simples o suficiente para não pesar, estável o bastante para pagar as contas e ainda deixa o dia livre para descobrir qual o próximo passo na vida.

O problema é que Minsun não sabe. Trancou a universidade de Enfermagem no ano passado, mais por dúvidas sobre o futuro do que qualquer outra coisa, e desde então vem adiando a resposta que todo mundo parece esperar dele: "O que você vai fazer agora?". E ele não sabe! Não por falta de capacidade, nem de interesse, só não conseguiu se ver em nenhum dos caminhos que tentou seguir e não acha prudente da sua parte insistir; o medo de terminar infeliz com as escolhas de vida é o maior que tem.

E, por mais que entenda a preocupação dos pais outros, não sente a mesma urgência. Tem dias em que a dúvida pesa um pouco mais, claro, mas nunca o bastante pra virar desespero.

No meio disso, ele vive do jeito que dá, ou do jeito que quer, dependendo do ponto de vista. Sai quando tem vontade, aceita convites sem pensar demais, aparece na casa do melhor amigo (que foi seu namorado por exatos dois meses e vinte dias) para brincar com a sua gata e reclamar de todos os incômodos do mundo... Sem grandes planos, sem metas rígidas que possam estragar seu dia, e talvez isso incomode mais os pais quem está de fora do que ele próprio. Tudo porque Minsun sabe que ainda está em tempo de errar e, de algum jeito meio teimoso, decidiu confiar nisso.

No fim do dia, a rotina atual é só uma fase, ele sabe disso. Não tem pressa para definir o que vem depois, mas também não abandonou completamente a ideia de que algum dia vai chegar lá. Só ainda não decidiu quando.